Num cenário onde as redes sociais moldam a percepção pública, observamos um padrão persistente na forma como as figuras públicas moçambicanas são abordadas. O recente lançamento do filme “O Preço da Fama” por Ogah Siz e os trabalhos de artistas como Case Buyakha e Cleyton David ilustram um fenômeno interessante: o destaque exacerbado dado às polêmicas em detrimento dos feitos positivos.
Ogah Siz estreou o tão aguardado “O Preço da Fama” na quinta-feira, mas após o evento inicial, o silêncio virtual foi ensurdecedor. O rapper Case Buyakha, que ao longo do ano lançou uma série de vídeos e, recentemente, encerrou 2023 com o álbum “Embaixador”, enfrenta uma notória escassez de cobertura midiática. O mesmo se aplica a Cleyton David e sua EP “Puto da Bandula”.
A reflexão central é inevitável: se Ogah Siz tivesse enfrentado alguma controvérsia após a estreia do filme, será que a reação nas redes sociais seria a mesma? E se, no início do ano, ou agora no encerramento de 2023, Case Buyakha estivesse envolvido em polêmicas, será que a cobertura mediática seria tão escassa? E, se porventura, Cleyton David estivesse no centro de uma polêmica, será que o assunto não estaria ainda a reverberar?
A constante preferência por notícias negativas sobre figuras públicas moçambicanas levanta preocupações sobre o impacto disso na promoção da cultura local. A música moçambicana, por exemplo, é um produto rico e diversificado que muitas vezes não recebe a atenção que merece. A pergunta crucial é: até quando estaremos atentos apenas para os aspectos negativos das figuras públicas e seremos lentos para destacar e valorizar as realizações positivas?
O contraste entre a velocidade com que as notícias negativas se espalham e a lentidão na divulgação de conquistas e trabalhos notáveis destaca uma lacuna preocupante na promoção da cultura moçambicana. Como podemos esperar que a música moçambicana seja valorizada na diáspora se, internamente, a mídia não prioriza e destaca o talento e os esforços dos artistas?
A ação é um passo crucial para mudar essa dinâmica. Compartilhar, apoiar e celebrar as realizações positivas dos artistas moçambicanos é uma responsabilidade coletiva. A mudança começa com cada indivíduo que escolhe conscientemente promover e valorizar o que contribui positivamente para a cultura e o cenário artístico moçambicano.





















