O Silêncio Diante da Violência:O Papel dos Artistas na Luta por Justiça

O Silêncio Diante da Violência:O Papel dos Artistas na Luta por Justiça

A crescente onda de violência em Moçambique tem gerado reações fortes de diversas figuras públicas, especialmente artistas que, nas últimas horas, usaram suas plataformas para expressar indignação e preocupação. Este é um momento que nos faz questionar: qual o papel de cada um de nós, como sociedade, na luta contra a violência? Até que ponto o silêncio coletivo contribui para a perpetuação da injustiça? Será que figuras públicas, com seu alcance, têm maior responsabilidade de se posicionar? E nós, como cidadãos, que papel devemos desempenhar nesse contexto?

Essas são questões que surgem a partir das mensagens de artistas como Stewart Sukuma, Justino Ubakka e Dj Júnior, que clamam por justiça e união contra a violência. A partir desses posicionamentos, é fundamental abrir um debate: como podemos, enquanto sociedade, mobilizar nossas vozes para exigir mudanças reais? A luta contra a violência é uma responsabilidade de todos nós?

𝘼 𝙑𝙤𝙯 𝙙𝙚 𝙎𝙩𝙚𝙬𝙖𝙧𝙩 𝙎𝙪𝙠𝙪𝙢𝙖: 𝙐𝙢 𝘾𝙝𝙖𝙢𝙖𝙙𝙤 𝙖̀ 𝘼𝙘̧𝙖̃𝙤

Stewart Sukuma, um dos músicos mais respeitados de Moçambique, foi contundente ao apontar o silêncio de muitas figuras públicas diante da violência. Em sua mensagem, ele critica abertamente a passividade de pessoas influentes que poderiam, com suas vozes, provocar mudanças. Ele destacou que, ao permanecermos calados, contribuímos para a perpetuação da violência: “O que vai mudar o país é a união contra este tipo de violência. O que vai mudar é a união para exigir JUSTIÇA!”

A fala de Sukuma expõe uma verdade desconfortável: a omissão pode ser tão prejudicial quanto a própria violência. O silêncio, muitas vezes, é interpretado como consentimento, e artistas, por sua posição de destaque na sociedade, têm uma responsabilidade moral de se posicionarem. A indiferença, segundo Sukuma, alimenta a impunidade e fortalece os que propagam a violência.

𝙅𝙪𝙨𝙩𝙞𝙣𝙤 𝙐𝙗𝙖𝙠𝙠𝙖 𝙚 𝙖 𝙍𝙚𝙛𝙡𝙚𝙭𝙖̃𝙤 𝙎𝙞𝙡𝙚𝙣𝙘𝙞𝙤𝙨𝙖

Justino Ubakka, outro nome de peso no cenário musical, adotou uma postura diferente, mas igualmente significativa. Ao decidir não postar seus trabalhos nos próximos dias em respeito aos acontecimentos, ele transmite uma mensagem de luto e reflexão. Sua decisão de suspender suas atividades normais nas redes sociais sugere que, em momentos de crise, é necessário pausar e dar espaço para a reflexão coletiva.

Ubakka parece adotar uma abordagem mais introspectiva, onde o silêncio não é sinônimo de omissão, mas um convite à reflexão. A ausência de suas postagens cotidianas é uma forma de protesto, mostrando que, às vezes, a ausência de conteúdo pode ser uma maneira eficaz de chamar a atenção para questões urgentes.

𝘿𝙟 𝙅𝙪́𝙣𝙞𝙤𝙧 𝙚 𝙖 𝙐𝙣𝙞𝙖̃𝙤 𝙥𝙚𝙡𝙖 𝙋𝙖𝙯

Dj Júnior, por sua vez, optou por uma mensagem de empatia e união. Ele reconhece que, apesar das diferenças de opinião, todos buscam o mesmo objetivo: um país melhor. Sua mensagem reflete um apelo por unidade em tempos de polarização, lembrando que, independentemente das divergências políticas, o respeito pelos direitos humanos deve ser um princípio inegociável.

Este discurso traz à tona um aspecto crucial do debate: o diálogo. Dj Júnior parece sugerir que, para além das diferenças, há um terreno comum onde todos podem se encontrar – o desejo de paz e justiça. Em tempos de violência, essa união se torna ainda mais necessária para pressionar por mudanças efetivas.

𝘼 𝙁𝙚́ 𝙙𝙚 𝙈𝙖𝙧𝙡𝙡𝙚𝙣 𝙚 𝙤 𝙎𝙞𝙢𝙗𝙤𝙡𝙞𝙨𝙢𝙤 𝙙𝙚 𝙏𝙬𝙚𝙣𝙩𝙮 𝙁𝙞𝙣𝙜𝙚𝙧𝙨

Marllen, com uma breve mensagem de fé, recorre à espiritualidade para lidar com a dor da violência. Ao confiar em Deus, ela expressa a angústia de muitos moçambicanos que, em meio ao caos, procuram forças na fé para seguir em frente. Já Twenty Fingers, com o simples gesto de compartilhar um coração partido, comunica uma dor profunda, sem precisar de palavras. Sua imagem é um lembrete de que, muitas vezes, o sentimento de perda e tristeza pode ser transmitido por símbolos poderosos.

Essas duas reações, embora distintas das de Sukuma e Ubakka, mostram que a dor e a indignação diante da violência podem se manifestar de maneiras diversas. Seja através da fé, do silêncio ou de símbolos, todos esses gestos contribuem para a construção de um debate mais amplo sobre o papel da arte e dos artistas em tempos de crise.

𝘼 𝙄𝙢𝙥𝙤𝙧𝙩𝙖̂𝙣𝙘𝙞𝙖 𝙙𝙤 𝙋𝙤𝙨𝙞𝙘𝙞𝙤𝙣𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝘼𝙧𝙩𝙞́𝙨𝙩𝙞𝙘𝙤

Essas manifestações trazem à tona um debate crucial: qual é o papel dos artistas em momentos de tensão social? Devem eles se envolver diretamente em questões políticas e sociais ou manter-se distantes, focando apenas em sua arte? A resposta, como demonstrado pelas ações de Sukuma, Ubakka e outros, é que os artistas possuem um papel fundamental na construção da consciência social. Eles têm uma plataforma que lhes permite alcançar milhões de pessoas, influenciando opiniões e promovendo debates necessários.

Historicamente, a arte sempre foi uma forma de resistência e protesto. Movimentos artísticos em todo o mundo já desempenharam papéis cruciais em lutas por liberdade, direitos civis e justiça. Moçambique, um país com uma rica tradição cultural, não é exceção. Seus artistas têm o poder de mobilizar a sociedade, de incitar o diálogo e de pressionar as autoridades por mudanças.

Os apelos de Sukuma, Ubakka, Dj Júnior, Marllen e Twenty Fingers nos mostram que a violência não deve ser tratada com indiferença. Seja através da música, da arte visual ou das redes sociais, os artistas moçambicanos estão demonstrando que têm um papel essencial a desempenhar na luta por justiça. Ao utilizar suas vozes para desafiar a violência e exigir mudanças, eles estão ajudando a moldar um futuro onde a justiça e os direitos humanos sejam respeitados.

A questão que fica é: quantos mais irão se juntar a este coro? A mudança, como ressaltou Sukuma, depende da união de todos – artistas, intelectuais e cidadãos comuns – em torno de uma causa comum. Só assim será possível construir um Moçambique mais justo e pacífico para todos.

 

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MÚSICA MOÇAMBICANA

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