O que está na base da fraca distribuição da música moçambicana?

Esta foi uma das perguntas feitas a Gasso Franco na sua entrevista ao podcast “Batata Quente”, em Portugal.

Este é um tema que já dura há bastante tempo e, em alguns momentos, prefere-se “colocar uma pedra por cima” para seguir em frente, ignorando o problema. No entanto, recentemente, durante a entrevista concedida por Gasso Franco ao “Batata Quente”, essa pedra foi removida, e o assunto voltou à mesa do debate.

De acordo com Gasso Franco, um dos maiores problemas enfrentados pela música moçambicana é o foco excessivo dos promotores locais em promover música internacional, em detrimento da produção local. Embora a música global tenha seu valor e público, a falta de investimento na música nacional reflete uma desconexão com a própria cultura e identidade do país. A promoção de artistas internacionais, seja em festivais, rádios, ou até em espaços de entretenimento, acaba por obscurecer os talentos locais, deixando-os com pouca visibilidade perante o seu próprio público.

Além disso, a falta de estrutura e recursos financeiros para promover artistas locais de forma eficaz limita ainda mais as suas oportunidades. Sem plataformas adequadas, sem um sistema robusto de distribuição e com uma comunicação frequentemente restrita aos meios tradicionais, muitos músicos moçambicanos têm dificuldade em alcançar o público mais amplo dentro de seu próprio país. Esse cenário reflete a frágil infraestrutura de apoio à indústria musical, que é, em parte, responsável pela dificuldade de projeção dos artistas locais.

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Embora a música moçambicana tenha conquistado alguns espaços internacionais, a verdade é que, em comparação com outros países da África e do mundo, ainda existe um descompasso no acesso a mercados mais amplos. Gasso Franco destacou que, enquanto muitos promotores em Moçambique se concentram em promover artistas estrangeiros, a música nacional continua a ser relegada a um segundo plano quando se trata de internacionalização. Esse contraste entre a promoção local e a escassa projeção internacional coloca os artistas moçambicanos em uma posição difícil, em que, apesar do talento, têm poucas oportunidades de crescer fora das fronteiras nacionais.

A distribuição de música, tanto digital quanto física, também é um desafio para os músicos moçambicanos. Plataformas de streaming, como Spotify e Apple Music, embora em crescimento, ainda não oferecem a visibilidade desejada aos artistas locais. Além disso, a falta de uma indústria musical robusta e organizada em Moçambique dificulta o estabelecimento de parcerias estratégicas com agentes internacionais, como gravadoras, promotores de eventos e plataformas de distribuição digital.

𝐎 𝐃𝐞𝐛𝐚𝐭𝐞 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚𝐝𝐨

Este debate não é novo, mas a entrevista de Gasso Franco no podcast “Batata Quente” trouxe uma nova luz sobre a questão. Em muitos momentos da história recente da música moçambicana, a tendência tem sido a de “colocar uma pedra” sobre esse problema e seguir em frente, ignorando as suas causas estruturais. Contudo, Gasso Franco defende que não se pode mais ignorar essa realidade. A indústria musical precisa ser reformada e repensada para criar condições mais favoráveis para a música moçambicana, tanto no território nacional quanto além-fronteiras.

O caminho para resolver a fraca distribuição da música moçambicana passa, em primeiro lugar, pela valorização do talento local. Promotores, empresas de comunicação e plataformas digitais precisam investir de forma mais sólida na música nacional, criando espaços para que os artistas possam não apenas se expressar, mas também viver de sua arte. Além disso, é necessário um esforço conjunto entre músicos, produtores e autoridades para criar políticas públicas que incentivem a internacionalização da música moçambicana e que promovam a cultura nacional a nível global.

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