Dois Humoristas, Dois Destinos: Qual Deve Ser o Papel da Solidariedade Popular?

Num momento em que os holofotes da comunicação social tanto nacional como internacional estão voltados para Moçambique, devido ao caso envolvendo o humorista angolano Gilmário Vemba, um outro caso mais silencioso, mas igualmente sensível surge em paralelo, protagonizado por um dos nossos: o humorista Mito Munguambe, que neste fim de semana recorreu às redes sociais para pedir apoio financeiro ao povo moçambicano, no valor de 800 mil meticais, com o objetivo de realizar uma segunda cirurgia na Índia.

No caso de Gilmário, a sua entrada em Moçambique foi travada por questões burocráticas, o que levou ao cancelamento do show que estava previsto no país. De forma imediata, o artista comprometeu-se a devolver os valores pagos pelos ingressos, gesto que foi bem recebido por muitos, mas que também levantou reflexões. Algumas figuras públicas moçambicanas chegaram a sugerir que os ingressos não deviam ser reembolsados, como forma de solidariedade para com o humorista angolano, que já havia investido na logística da sua deslocação e da equipa que o acompanhava composta por um humorista português e outro brasileiro.

Por outro lado, temos Mito Munguambe, cujo apelo emocional nas redes sociais levou vários internautas a sugerir que ele participasse no programa “Moçambique em Concerto”, conhecido por realizar os sonhos de muitos cidadãos anónimos através de apoios solidários.

É neste cruzamento de realidades e sensibilidades que se ergue uma questão: que posicionamento deve o povo moçambicano adoptar perante estes dois casos distintos, mas que envolvem a mesma classe artística. Os humoristas?

Não se trata de julgar, comparar nem medir o valor de um sofrimento sobre o outro. Trata-se, antes, de compreender o papel da empatia e da solidariedade, principalmente num país como o nosso, onde os artistas locais, muitas vezes, enfrentam batalhas silenciosas por detrás do sorriso que oferecem ao público.

No plano externo, Gilmário Vemba tornou-se assunto em diversos países dos PALOP, em Portugal e até no Brasil. O caso transformou-se num debate sobre a liberdade de circulação de artistas e o respeito pelas artes no espaço lusófono. Já o caso de Mito Munguambe desafia-nos internamente: até que ponto o povo moçambicano está disposto a unir-se para apoiar um dos seus, num momento de fragilidade?

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Não se espera uma resposta unânime. O mais importante é que se abra espaço para o debate saudável, onde cada um possa reflectir sobre o tipo de sociedade que deseja construir: uma que valoriza os seus artistas apenas no sucesso ou também na vulnerabilidade?

Num país onde o riso tem sido, muitas vezes, a arma contra as dores do quotidiano, talvez seja tempo de devolvermos aos nossos humoristas um pouco da alegria que sempre nos ofereceram seja com o gesto simbólico de não exigir reembolso de um bilhete, seja com uma contribuição silenciosa a uma causa de saúde.

O debate está lançado. E talvez não existam respostas certas ou erradas. Mas há, certamente, espaço para pensar, sentir e agir com humanidade.

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MÚSICA MOÇAMBICANA

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