Deny Timane no Programa “Batidas”: O Papel dos Artistas na Sociedade e a Responsabilidade Diante da Justiça

Na mais recente edição do programa “Batidas” da TV Sucesso, o cantor gospel e pastor Deny Timane foi o convidado principal para discutir o posicionamento dos artistas e influenciadores moçambicanos face aos acontecimentos recentes no país. O debate, enriquecido por intervenções de outros artistas via chamada telefônica, girou em torno da responsabilidade dos artistas em utilizar suas plataformas para influenciar a sociedade, e como eles devem se posicionar em momentos de crise social.

Deny Timane: “A Justiça Não Pode Ser Trocada por Cachê”

Deny Timane abriu o debate com uma declaração forte, enfatizando a importância de valores como a justiça acima de qualquer interesse financeiro ou partidário. “Você é livre de ser ou escolher o partido que quiser, mas nós não somos livres de trocar a justiça por cachê”, afirmou o pastor. Segundo Timane, as cores partidárias não devem ser usadas para dividir as pessoas, reforçando que a luta pela justiça deve ser um ponto de união entre os cidadãos, independentemente de suas afiliações políticas.

Timane criticou a postura de alguns artistas que, na sua opinião, hesitaram em se manifestar sobre o caso de Elvino Dias até que a pressão popular os forçou a falar. Ele sugeriu que, se os artistas realmente acreditassem na causa, teriam se pronunciado voluntariamente e não apenas após a revolta do público nas redes sociais.

Kamane: “Os Internautas Ditam Regras sem Avisar”

O cantor e apresentador Kamane, que participou via chamada, trouxe um ponto de vista diferente. Segundo ele, muitos artistas foram surpreendidos pela pressão dos internautas, que rapidamente ditaram regras de como os artistas deveriam se comportar em relação à morte de Elvino Dias. “Os artistas só acordaram e viram que cada um dos internautas decidiu desfilar o seu veneno usando as redes sociais”, comentou Kamane.

Ele também defendeu que, apesar de possuir uma afiliação partidária há muito tempo, sua principal preocupação é com o impacto social da perda de Elvino Dias, um moçambicano que, segundo ele, lutava por um país melhor. Kamane ainda acrescentou que a revolta do público foi, em parte, aproveitada por artistas que estavam fora dos holofotes e que usaram o momento para tentar ganhar relevância. Ele destacou que essas mesmas pessoas que criticam os artistas hoje não têm apoiado seus trabalhos musicais.

Nandov Matsinhe: “A Vida Não é Feita na Internet”

Outro artista que participou do debate foi o cantor Nandov Matsinhe, que ofereceu uma perspectiva mais crítica sobre a pressão das redes sociais. Para Matsinhe, os artistas não têm obrigação de se manifestar online ou expressar publicamente suas condolências. Ele sublinhou que menos de 40% da população moçambicana tem acesso à internet, e que a dor e o luto são vividos fora do ambiente digital. “Os artistas não precisam se filmar a chorar para mostrar que estão sentidos”, disse Matsinhe.

No entanto, Deny Timane discordou dessa visão, argumentando que, embora a vida não seja feita apenas na internet, os artistas, como figuras públicas, têm o poder de influenciar a sociedade, e isso inclui expressar suas opiniões em momentos críticos. “Se esses influenciadores aparecem para promover marcas de cerveja e roupas, por que não podem aparecer para influenciar o povo pela justiça?”, questionou Timane.

Bikiza: “O Povo Sente Falta dos Artistas em Momentos Cruciais”

Bikiza, outro músico que também se juntou ao debate por chamada, compartilhou sua frustração com a ausência dos artistas que, no passado, eram vistos promovendo causas partidárias, mas que agora, em um momento de crise social, estão em silêncio. Para Bikiza, essa lacuna de posicionamento é notada pelo povo, que espera ver essas mesmas figuras se manifestarem em prol de causas sociais e não apenas de interesses comerciais ou políticos.

O debate no programa “Batidas” trouxe à tona uma reflexão profunda sobre o papel dos artistas e influenciadores na sociedade moçambicana. Enquanto uns acreditam que os artistas não têm a obrigação de se posicionar em todas as questões sociais, outros, como Deny Timane, defendem que, quando se trata de justiça, o silêncio não é uma opção.

A discussão também evidenciou a divisão de opiniões dentro da classe artística, mas com um ponto em comum: a necessidade de maior coerência entre o que se promove e o que se defende. Seja na promoção de marcas ou na defesa da justiça, o público moçambicano está atento ao comportamento dos seus ídolos e espera que eles usem suas plataformas para influenciar positivamente a sociedade, especialmente em momentos de crise.

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