Case Buyakha denuncia uso de crianças como isca para mendicidade em Maputo: “Temos que ser sérios”

O rapper e cantor moçambicano Case Buyakha voltou a usar a sua voz para alertar sobre questões sociais profundas que muitas vezes são ignoradas. Desta vez, o artista chama a atenção para o uso recorrente de bebés e crianças por adultos em situação de vulnerabilidade muitos aparentemente sob o efeito de drogas para pedir esmolas nos semáforos da cidade de Maputo.

“Eu não sei se existe segurança social no país, mas alguém de direito tem que fazer alguma coisa por essas crianças que estão a ser usadas como iscas para pedir dinheiro nas ruas. Sei que não se separa o filho da mãe, mas também não é justo para bebês terem de passar pelo que nós vimos que estão a passar sempre…”, afirmou Case Buyakha num desabafo nas redes sociais.

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Nas palavras do artista, a situação é visivelmente grave:

“Em alguns semáforos aqui na cidade de Maputo, há pessoas que tu vês que… epa, vamos lá, temos que ser sérios! Há pessoas que você vê que esse aqui é drogado, há mulher que você vê que essa aqui é drogada, está com bebê no colo, para persuadir pessoas a lhe darem dinheiro… E eu fico triste por imaginar o que esse bebê deve passar.”

Um problema à vista de todos, mas ignorado por muitos

A presença de mulheres com bebés ao colo nas esquinas e semáforos de Maputo é uma realidade cada vez mais comum. Muitas vezes, estas mulheres visivelmente em condições precárias, algumas com sinais de dependência química utilizam os bebés como apelo emocional para conseguir esmolas. A prática, embora silenciosa, levanta sérias questões sobre os direitos da criança, a responsabilidade das instituições públicas e a eficácia das políticas sociais em Moçambique.

Onde está a segurança social?

A pergunta de Case Buyakha não é retórica: “Eu não sei se existe segurança social no país…”. Ela aponta para uma sensação de abandono sentida por muitos cidadãos em relação à atuação do Estado na proteção dos mais vulneráveis sobretudo crianças.

Moçambique possui legislação que protege os direitos da criança e instituições como o Instituto Nacional de Acção Social (INAS), mas a realidade vivida nas ruas parece mostrar uma falha grave entre a teoria e a prática. A falta de políticas públicas eficazes de reintegração social, apoio a toxicodependentes e acolhimento de crianças em risco resulta em cenas desumanas e normalizadas no dia a dia das cidades.

O papel dos artistas como voz do povo

Ao trazer este tema ao debate público, Case Buyakha cumpre um papel fundamental: o de usar a sua visibilidade para provocar reflexão e exigir ação. Em vez de se limitar ao entretenimento, o artista assume um lugar de consciência social, desafiando quem é de direito a agir com seriedade e urgência.

Uma responsabilidade coletiva

Embora o apelo de Case seja dirigido às autoridades, o problema exige também um envolvimento da sociedade civil. A normalização da mendicidade com bebés, o impulso automático de dar dinheiro sem refletir sobre o impacto, e o silêncio cúmplice perante situações de risco são fatores que contribuem para a perpetuação deste ciclo de sofrimento.


O debate está lançado. Até quando vamos assistir em silêncio ao sofrimento de crianças inocentes em nome da compaixão mal orientada?
É hora de transformar o incômodo coletivo em ação concreta.

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