O rapper moçambicano K9, conhecido por usar a música e as redes sociais como plataforma de reflexão social, voltou a levantar a voz — desta vez, com um desabafo contundente sobre o aumento do custo de vida e a falta de respostas das lideranças nacionais.
Numa publicação carregada de crítica e realismo, K9 afirmou que “o pão agora será ostentação”, numa clara alusão ao encarecimento dos bens alimentares básicos. Para o artista, o pão, tradicional símbolo de alimentação diária, tornou-se artigo de luxo reservado a poucos. Apesar de reconhecer que o trigo não é o alimento mais nutritivo ou alcalino, ele também destaca que alternativas como a batata-doce, mandioca, abacate, saladas e ovos estão igualmente a escapar do alcance da maioria dos moçambicanos.
Num tom irónico e ao mesmo tempo reflexivo, K9 diz que tem conseguido manter o peso “graças à subida de preços e ao custo de vida”, e aproveita para alertar sobre a importância do resgate de hábitos alimentares mais saudáveis e alcalinos. No entanto, o seu foco vai muito além da dieta: ele aponta para um colapso social e moral, onde os antigos heróis da libertação se deixaram corromper pela ganância.
“Estão doentes e cegos”, escreveu, referindo-se aos líderes que deveriam proteger o povo. Para K9, o povo foi abandonado e precisa assumir o protagonismo da sua sobrevivência. O rapper apela à produção própria, ao apoio mútuo e, acima de tudo, à união: “Deixemos as invejas, as corrupções e as desavenças, o foco é união agora”.
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Este manifesto artístico de K9 não é apenas um grito de revolta, mas também um chamado à consciência coletiva. Num país onde a desigualdade cresce e os alimentos básicos se tornam inacessíveis, a sua mensagem ecoa como um apelo urgente por solidariedade, produção local e reconstrução comunitária.





















